• Nathálya Meyer

#T C C: As Consequências da Desigualdade Social

Atualizado: 1 de Dez de 2018


Sabe-se que a desigualdade social é algo comum no Brasil, gerada principalmente pela escassez de educação de qualidade, oportunidades no mercado de trabalho, investimento em áreas sociais e culturais, e o desleixo com a saúde pública. Afetando principalmente as classes menos favorecidas.

As consequências da apropriação desigual do produto social são as mais diversas: analfabetismo, violência, desemprego, favelização, fome, analfabetismo político, etc.; criando “profissões” que são frutos da miséria produzida pelo capital: catadores de papel; limpadores de vidro em semáforos; “avião” – vendedores de drogas; minhoqueiros – vendedores de minhocas para pescadores; jovens faroleiros – entregam propagandas nos semáforos; crianças provedoras da casa – cuidando de carros ou pedindo esmolas, as crianças mantém uma irrisória renda familiar; pessoas que “alugam” bebês para pedir esmolas; sacoleiros – vivem da venda de mercadorias contrabandeadas; vendedores ambulantes de frutas; etc. Além de criar uma imensa massa populacional que frequenta igrejas, as mais diversas, na tentativa de sair da miserabilidade em que se encontram. (MACHADO, 1999, p. 03).

Uma das principais influências no quesito segregação e desigualdade social, é a própria sociedade capitalista, onde há a má distribuição de renda, gerando uma concentração de dinheiro em apenas uma pequena parte da população.

Como consequência disso, a desigualdade acaba gerando na população menos favorecida a necessidade de buscar formas de sobreviver a falta de oportunidade de educação, trabalho e saúde. Acarretando, muitas vezes na fome, altas taxas de desemprego, e fazendo da criminalidade uma opção de fuga dessa realidade. Para Siqueira (2001, p. 62), "[...] o cidadão é levado ao mundo do crime por uma sociedade que lhe tira as condições de viver com honestidade e dignamente para depois cobrar o que não lhe ofereceu”.

Para Rousseau (1746), os delitos que os indivíduos cometem, é uma consequência da desigualdade social inserida pelo homem ao decorrer de sua existência, além da desvalorização de características específicas de cada sujeito. Ou seja, os delitos cometidos por parte da população menos favorecida, é um problema causado pela própria sociedade, gerado pelo preconceito racial, econômico e de gênero. Rousseau (1762), ainda afirma que para ele, o homem é bom por sua natureza, mas devido a toda a segregação e desigualdade entre as classes sociais, são corrompidos pela sociedade.

Podemos perceber isso através de dados do Levantamento Nacional de Informações Penitenciárias (INFOPEN), onde é relatado que a maior parte carcerária do Brasil é composta por jovens, negros e com pouca escolaridade (Figuras 1, 2 e 3).


Figura 1. Faixa Etária das Pessoas Privadas de Liberdade no Brasil: 2016.

Fonte: Levantamento Nacional de Informações Penitenciárias – INFOPEN, Junho/2016. Acesso: março, 2018.


É possível perceber que a maior parte da população carcerária é composta por jovens segundo classificação do Estatuto da Juventude (Lei nº 12.852/2013), sendo que 30% desses jovens estão na faixa etária entre 18 a 24 anos, seguidos de 25% de jovens entre 25 a 29 anos (Figura 1).


Figura 2. Raça, Cor ou Etnia das Pessoas Privadas de Liberdade - Brasil: 2016.

Fonte: Levantamento Nacional de Informações Penitenciárias – INFOPEN, Junho/2016. Acesso: março, 2018.


No gráfico acima, podemos perceber que 64% da população carcerária do Brasil, é composta por pessoas negras. O preconceito racial é um problema muito presente no país, dificultando inclusive, as oportunidades de emprego para pessoas negras. Para Cizmar Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), “As pessoas pretas e pardas estão sempre em desvantagem no mercado de trabalho, desde a inserção a depois de se inserir”.


Figura 3. Escolaridade das Pessoas Privadas de Liberdade no Brasil: 2016.

Fonte: Levantamento Nacional de Informações Penitenciárias – INFOPEN, Junho/2016. Acesso: março, 2018.


O último gráfico do INFOPEN, relata que a minoria das pessoas privadas de liberdade no Brasil tem ensino superior completo, informando também que mais de 50% dos reclusos brasileiros não concluíram o ensino fundamental.

O retrato da população carcerária no Brasil se mantém a mesma há anos, em sua maior parte jovens, pardos e de baixa escolaridade. Esse cenário é uma consequência da falta de incentivos, por parte do governo, a esses jovens. Pois é de conhecimento público a precariedade na infraestrutura escolar, além da escassez de oportunidades no mercado de trabalho. A solução para diminuição desse problema seria, trabalhar a base da sociedade para que as crianças e os jovens não se percam na criminalidade, acreditando que esse é o caminho mais fácil a ser seguido (GOMES, 2013).


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